Há dores, enfermidades, doenças, pragas, moléstias em todo o mundo. Sim, estão em toda parte, como as mulheres. Algumas não querem ser curadas, não se deixam curar ou não são simplesmente curadas.Há dores que são informações genéticas, não queimam à luz do sol, não mudam de pele. Há dores e enfermidades para a gente macerar durante os dias e as noites, como fumo. Há dores das quais dependo, embora me queixe. É uma fraude, a queixa. Às vezes, a minha fraude - isto que sou eu inteira - me esbofeteia a cara e dói mais.
Para todas as dores, margaritas. Há deliciosas margaritas brancas e amarelas. Deliciosas margaritas bordejadas de mar e maresia.Um mundo coberto de canas não alivia as dores. De margaritas, sim, para o deleite das damas, das almas, dos desamados.
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Saudade.
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As crianças trabalham e morrem.Crianças como eu fui um dia. Como às vezes eu sou, por mais que resista.
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"Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão
menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Raçao diária de erro, distribuída em casa".
(A flor e a náusea - meu poema favorito -, Carlos Drummond de Andrade)

Um comentário:
Sim, Margaritas...
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