Ultimamente, tanta vontade de escrever, de dizer as coisas, de gritar todas elas.
Logo, em cima desse desejo, ao mesmo tempo, uma desconfiança das palavras, da utilidade das palavras, da fraqueza das palavras.
Ao mesmo tempo, em cima dessa incredulidade, logo, uma confiança na poesia, uma vontade de poesia, de saber toda a poesia.
Em cima dessa avidez, ao mesmo tempo, logo, uma agonia, um desespero, a intuição degradante da ausência de sentido das coisas, das palavras, da poesia.
E a beleza ainda existe. Como é bonito o sorriso do sol!
O sorriso do dia, do Sol aberto, dourado, quente.
O sol duro sobre a gente.
Das palavras que usamos para descrever o Sol, todas as vezes,
eu gosto.
O Sol, ele arde... E basta.
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Quando a gente se sente uma bruxa,
Feia, nariguda, gorda, craquelada e despenteada,
Entediante, desinteressante e má, mais do que o normal,
Não adianta o astrólogo quem quer que seja dizer o contrário.
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Um passarinho
volta pra árvore
que não mais existe
Meu pensamento
voa até você
só pra ficar triste
(Leminski)
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