Que a folha traga e traduz
Em verde novo
Em folha, em graça , em vida, em força, em luz
Céu azul,
Que venha até onde os pés
Tocam na terra e a terra inspira e exala seus azuis
Reza, reza o rio,
Córrego pro rio, rio pro mar
Reza correnteza, roça a beira, doura areia
Marcha um homem sobre o chão
Leva no coração uma ferida acesa
Dono do sim e do não
Diante da visão da infinita beleza
Finda por ferir com a mão esta delicadeza
A coisa mais querida,
A glória da vida...
Luz do sol
(Letra de Caetano Veloso, interpretação de Gal Costa)
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Ninguém é naturalmente especial.
Especial é o modo como a existência se configura, de modo que a gente viva as situações que vive.
Especiais são as descobertas que a experiência de ação no mundo fazem emergir.Especiais são as situações onde pisamos todos os dias. Onde, não raro, escorregamos, afundamos, nos sujamos e desfalecemos tantas vezes.
Especiais são os momentos que produzem em nós sorriso e que, logo adiante, arrancam-no, com uma voracidade desproporcional.
Especiais são os encontros para os quais somos empurrados ou para os quais nos encaminhamos por gosto e vontade .
Os encontros, às vezes, se desviam do traçado original e, facilmente, são chamados desencontros.
Consideradas assim, sem ênfase, as coisas são tristes, diz o poeta.
E, no entanto, são tão especiais sendo o que são, o que foram.
Toca fundo em mim esse momento da existência.
O meu sorriso já não está tão claro quanto esteve há um ano.
Nisso, sim, não há nada de especial.
Mudo amanhã de pasta de dentes...


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