sexta-feira, 16 de maio de 2014


Não me considero supersticiosa, mas odeio anos pares.
Tudo embola, a vida não fica fácil.
Neste ano, antes do mês seis, meu coração já morreu as sete vidas a que tinha direito.
O álcool lhe tem trazido de volta.
Como é ruim voltar sabendo que o fôlego pode outra vez faltar, a qualquer hora. Na hora de dormir, quem sabe. Eu, que gosto de dormir porque sei que se trata de um período de sono e só, me apavoro.
Providenciar uma adega para a casa, eis o que me acomete.
Tento me agarrar à poesia, cuja promessa é suspender os pés do chão por alguns instantes.
Mas são tão curtos e a gravidade, tão grosseira, que termino derrubada e arranhada por garras de onça.
Talvez a poesia só funcione assim.
Tudo podia ser simples como um bom dia.
Mas desejar tenha um  bom dia nunca é fácil, não é fácil. Há bons dias ensanguentados, sobre os quais poesia nenhuma quer falar.
Os dias, eu os mastigo, ultimamente, como a chiclete de isopor.
Mas é tão bom olhar os pássaros e imaginar o que pensam de nós, homens-mulheres, mulheres-homens, olhando de cima, do alto, como Deus.
Crianças... é o que devem pensar. Nesse faz de conta, nesse pique-e-pega, esconde-esconde,
Eu quero ser envolvida por uma asa selvagem de pássaro, com a penugem  laranja da cor de certos Sóis.

****************
Pensando em palavras que acho bonitas: em primeiro lugar, imiscuir-se. Outra: estilhaços.

****************

Nenhum comentário: