As estradas sem ninguém,
Óleo queimado, as vigas na areia,
A lua nascendo por entre os fios dos teus cabelos,
Por entre os dedos da minha mão passaram certezas e dúvidas
Pois no dia em que ocê foi embora,
Eu fiquei sozinho no mundo, sem ter ninguém,
O último homem no dia em que o sol morreu".
(O último pôr do sol, Lenine)
O sol que me persegue, que me devora e que amo. Correndo, correndo, correndo. Em busca de quê? Desejo de pisar a areia morna da praia. Imiscuir-me. Ser tomada, succionada, devolvida em mil grânulos. Vislumbres de pequenas felicidades.Rir sozinha. Depois, chorar. Olhar o céu azul. As ondas. Os pássaros em "v".A paisagem se repete e é nova.Quanto concreto, meu Deus, nesta cidade! Meu coração é um bloco de concreto voando de paraquedas. Meus batons vermelhos estão engavetados. Uma alma triste não combina com batom vermelho. Estou tão cansada, que não sei como cheguei aqui. Tenho andado tão dentro de mim, que olhar no espelho me assusta. Viver é o susto.




