terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Apagamentos

“...insisto na maldade de escrever
mas não sei se a deusa sobe à superfície
ou apenas me castiga com seus uivos...”

Ana Cristina César in Nada, esta espuma.


A cronologia ou a ordem que falta às coisas, disso, só agora me dei conta.

E de meu vizinho da Tijuca atormentado com o trânsito caótico das balas que voam das armas de fogo.

E do coração dilatado disfarçando ruídos que tentam se esconder dos becos próprios da noite.

E da sabedoria da gente ao redor:
- Deixe ele dormir, não... Não, deixe ele dormir, não...

Muita tinta fresca, rubra, como o vinho de Açores, borra o meio-fio em linha estreita e torta.

Longe, mas nem tanto, a promessa para o futuro:
- Você carregando e eu abrindo caminho...

Não durma, não, moço. Não durma, que a vida é um susto, não se engane.