“...insisto na maldade de escrevermas não sei se a deusa sobe à superfície
ou apenas me castiga com seus uivos...”
Ana Cristina César in Nada, esta espuma.
A cronologia ou a ordem que falta às coisas, disso, só agora me dei conta.
E de meu vizinho da Tijuca atormentado com o trânsito caótico das balas que voam das armas de fogo.
E do coração dilatado disfarçando ruídos que tentam se esconder dos becos próprios da noite.
E da sabedoria da gente ao redor:
- Deixe ele dormir, não... Não, deixe ele dormir, não...
Muita tinta fresca, rubra, como o vinho de Açores, borra o meio-fio em linha estreita e torta.
Longe, mas nem tanto, a promessa para o futuro:
- Você carregando e eu abrindo caminho...
Não durma, não, moço. Não durma, que a vida é um susto, não se engane.
