segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

O papel do feedback no processo de aprendizagem on-line: desafios, cuidados, possibilidades...


Olha eu aqui outra vez para fazer o dever de 
casa da UaB!

Hoje o tema da conversa é o feedback em EAD ou dito em devido brasileirês: trata-se do retorno às tarefas que os alunos enviam para a correção. Estou nesse universo da EAD desde 2009 e de lá para cá pouca coisa mudou em meu entendimento sobre esse assunto em específico.  Sempre achei importantíssimo oferecer um retorno qualitativo às tarefas que meus alunos enviam. Acho, inclusive, que essa atitude também vale e é crucial na educação presencial. Que aluno não gosta de ler um “recadinho” do professor sobre a sua tarefa? Ele se sente até especial quando vê que o professor deixou aquela canetada em letras vermelhas em sua prova! (rsrsrsrs)

Terrorismo e brincadeiras à parte, pode até ser uma “bronca”, mas o aluno deseja, precisa e merece uma justificativa para a menção que recebeu. Consideremos a função pedagógica do “recadinho”: atribuir nota 7,0 e não dizer o que o aluno errou, por que errou e o que faltou para acertar é deixar o trabalho incompleto, já que a função do professor, segundo os entendimentos pedagógicos mais modernos, é o de auxiliar o aluno a construir o conhecimento. Esse conhecimento é construído junto – entre professor e aluno, entre alunos e alunos, entre todos e os meios informativos disponíveis. Ora, o que muda no desempenho do aluno se o professor envia como retorno à sua tarefa apenas um número? Quase nada. Sobretudo para o aluno de EAD, isso desemboca em solidão e desestímulo. Por isso, mesmo quando ele atinge nota 10,0, eu lhe dou um feedback! Quando não atinge a média esperada, olha, confesso, o feedback é bem grandão! Linhas e mais linhas de falatório escrito.

Dar esse retorno em EAD não é fácil. Dá trabalho, toma tempo, mas é necessário para assegurar um padrão mínimo de contribuição ao processo formativo do aluno. No ano passado, descobri a possibilidade de que o feedback fosse realizado via arquivo em áudio. Nossa, que felicidade! Os alunos ouviriam a minha voz e isso tornaria o momento de retorno das tarefas mais afável, caloroso e esclarecedor. Mas, como se sabe, alegria de pobre dura pouco! Nas disciplinas em que atuei como tutora a distância nesse ano, não tive autonomia para utilizar esse recurso. Este ano, todavia, com fé em Deus, tomara que seja possível.

Com certeza, utilizar o arquivo em áudio com essa finalidade aproxima o aluno do tutor e fecha as brechas para que haja mau entendimento do feedback. Digo isso porque, às vezes, a escrita tem um caráter mais frio, mais formal, que pode ser interpretado com hostilidade pelos alunos. Já a fala, com todas as modulações que podemos operar sobre ela – tom, volume e infinitas maneiras de usar a voz – confere ao feedback uma leveza, um feitio mais amigável. É possível sorrir com a voz e isso certamente traz conforto ao aluno quando se depara com uma nota baixa em uma tarefa.

Fico me imaginando como uma médica que precisa informar à família de um paciente o seu falecimento ou a ocorrência de situações graves. Será que a família preferiria receber o aviso por escrito – pá-pum! - ou por meio de um diálogo falado, onde se pode medir com mais clareza e adequação as palavras que se diz? Eu, de minha parte, opto pela segunda alternativa. Acho que os alunos, de maneira geral, também.

Hoje, é só, pessoal.

Vamos seguindo, vamos seguindo, que a vida não para e a hora tem pressa!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

O blog na educação a distância

De volta ao Chiclete de Melancia para atender a um chamado do curso de formação de tutores em educação a distância da UAB/UnB. 


A discussão, nesta semana, é sobre a utilidade dos blogs como recurso de apoio nos cursos realizados a distância. Particularmente, acho que, entre outros usos e funções, o blog tem uma versatilidade que permite, por exemplo, que assuntos sérios adquiram tons mais amenos, mais plásticos. Por ter uma identidade muito próxima à do diário, da escrita íntima, favorece o exercício de uma linguagem mais livre. 

No papel de tutora a distância, utilizando um blog, por exemplo, posso sintetizar conteúdos teóricos  por meio de um poema, de uma canção ou mesmo de uma imagem. O texto científico, tributário das formalidades da academia, da ABNT, dos gêneros discursivos consagrados, podem, num blog, ser desmontados, ampliados, desconstruídos e, finalmente, discutidos como parte do dia-a-dia do indivíduo.

No Brasil, esse recurso tem sido utilizado como importante difusor cultural. Basta lembrar, para ser bem econômica nos exemplos, que grandes escritores contemporâneos, como Marcelino Freire, Daniel Galera e Xico Sá, começaram a divulgar as suas obras - obras premiadas, diga-se - via blog.

Por que, então, não utilizar o blog como recurso na democratização do ensino e mais, na mudança de padrões nos processos relativos ao ensino e à aprendizagem? No blog cabe tudo: desde as trivialidades mais fúteis do dia-a-dia dos indivíduos até as reflexões mais profundas sobre assuntos sérios e com função informativa, educativa, etc.

Para fazer uso deste recurso - como estudante, profissional, religioso, artista - basta um pouco de criatividade e algum conteúdo para dizer. Se o conteúdo permitir construir conhecimento, tanto melhor! José Moran (1), sobre as novidades que as tecnologias trazem ao contexto educativo trazem, disse:

O processo de mudança na educação a distância não é uniforme nem fácil. Iremos mudando aos poucos, em todos os níveis e modalidades educacionais. Há uma grande desigualdade econômica, de acesso, de maturidade, de motivação das pessoas. Alguns estão preparados para a mudança, outros muitos não. É difícil mudar padrões adquiridos (gerenciais, atitudinais) das organizações, governos, dos profissionais e da sociedade. E a maioria não tem acesso a esses recursos tecnológicos, que podem democratizar o acesso à informação. Por isso, é da maior relevância possibilitar a todos o acesso às tecnologias, à informação significativa e à mediação de professores efetivamente preparados para a sua utilização inovadora.


Concordo com ele que a inserção dessas tecnologias - incluindo o blog - na educação brasileira não está ocorrendo de maneira massiva, já que o acesso da população à internet ainda é limitado. Além disso, paralelamente à viabilização do acesso universal a essa tecnologia, é preciso garantir que a população seja instruída a utilizá-la, ou seja, é preciso que  vivencie processos de letramento nesse sentido.

É isso. Espero seguir mascando novos chicletes por aqui no decorrer de 2013...

(1) MORAN, José. Disponível em: <www.eca.usp.br/prof/moran/textosead.htm>. Acesso em: 10 fev. 2013.