De volta ao Chiclete de Melancia para atender a um chamado do curso de formação de tutores em educação a distância da UAB/UnB.
A discussão, nesta semana, é sobre a utilidade dos blogs como recurso de apoio nos cursos realizados a distância. Particularmente, acho que, entre outros usos e funções, o blog tem uma versatilidade que permite, por exemplo, que assuntos sérios adquiram tons mais amenos, mais plásticos. Por ter uma identidade muito próxima à do diário, da escrita íntima, favorece o exercício de uma linguagem mais livre.
No papel de tutora a distância, utilizando um blog, por exemplo, posso sintetizar conteúdos teóricos por meio de um poema, de uma canção ou mesmo de uma imagem. O texto científico, tributário das formalidades da academia, da ABNT, dos gêneros discursivos consagrados, podem, num blog, ser desmontados, ampliados, desconstruídos e, finalmente, discutidos como parte do dia-a-dia do indivíduo.
No Brasil, esse recurso tem sido utilizado como importante difusor cultural. Basta lembrar, para ser bem econômica nos exemplos, que grandes escritores contemporâneos, como Marcelino Freire, Daniel Galera e Xico Sá, começaram a divulgar as suas obras - obras premiadas, diga-se - via blog.
Por que, então, não utilizar o blog como recurso na democratização do ensino e mais, na mudança de padrões nos processos relativos ao ensino e à aprendizagem? No blog cabe tudo: desde as trivialidades mais fúteis do dia-a-dia dos indivíduos até as reflexões mais profundas sobre assuntos sérios e com função informativa, educativa, etc.
Para fazer uso deste recurso - como estudante, profissional, religioso, artista - basta um pouco de criatividade e algum conteúdo para dizer. Se o conteúdo permitir construir conhecimento, tanto melhor! José Moran (1), sobre as novidades que as tecnologias trazem ao contexto educativo trazem, disse:
O processo de mudança na
educação a distância não é uniforme nem fácil. Iremos mudando aos poucos, em
todos os níveis e modalidades educacionais. Há uma grande desigualdade econômica,
de acesso, de maturidade, de motivação das pessoas. Alguns estão preparados
para a mudança, outros muitos não. É difícil mudar padrões adquiridos
(gerenciais, atitudinais) das organizações, governos, dos profissionais e da
sociedade. E a maioria não tem acesso a esses recursos tecnológicos, que podem
democratizar o acesso à informação. Por isso, é da maior relevância
possibilitar a todos o acesso às tecnologias, à informação significativa e à
mediação de professores efetivamente preparados para a sua utilização
inovadora.
Concordo com ele que a inserção dessas tecnologias - incluindo o blog - na educação brasileira não está ocorrendo de maneira massiva, já que o acesso da população à internet ainda é limitado. Além disso, paralelamente à viabilização do acesso universal a essa tecnologia, é preciso garantir que a população seja instruída a utilizá-la, ou seja, é preciso que vivencie processos de letramento nesse sentido.
É isso. Espero seguir mascando novos chicletes por aqui no decorrer de 2013...
(1) MORAN, José. Disponível em: <www.eca.usp.br/prof/moran/textosead.htm>. Acesso em: 10 fev. 2013.


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