terça-feira, 20 de maio de 2014

Mil novecentas e poucas vidas...

em mim 
eu vejo o outro
e outro
e outro
enfim dezenas
trens passando
vagões cheios de gente
centenas

o outro
que há em mim
é você
você
e você

assim como
eu estou em você
eu estou nele
em nós
e só quando 
estamos em nós
estamos em paz
mesmo que estejamos a sós

(Contranarciso, de Leminski)

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Quantos silêncios cabem num sorriso?
Vinte e oito dentes externos.
Quantas palavras calam um sorriso?
Um dente interno e outros tortos do lado de fora.
Quanto um sorriso cobra pra sorrir?
A conta que ninguém de fora paga.
É minha, toda minha, há mil novecentas e poucas vidas...

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