"A primeira forma do amor sexual como paixão que apareceu na
história e como paixão possível para qualquer pessoa (pelo menos das classes
dominantes), como forma suprema de impulso sexual - o que constitui
precisamente seu caráter específico - essa primeira forma, o amor cavalheiresco
da Idade Média, não foi de modo algum amor conjugal. Pelo contrário, em sua
forma clássica, entre os provençais, ruma abertamente para o adultério, que é
cantado por seus poetas. A flor da poesia amorosa provençal são as albas, em
alemão Tagelieder, cantos do alvorecer. Pintam com cores vivas como o cavaleiro
deita com sua amada, mulher de outro, enquanto lá fora fica o vigia que o chama
quando começa a clarear a madrugada (alba), para que possa escapar sem ser
notado".
"Ela disse, te amo, vamos viver juntos.
Perguntei, não está tão bom assim? Cada um no seu canto, nos encontramos para ir ao cinema, passear no Jardim Botânico, comer salada com salmão, ler poesia um para o outro, ver filmes, foder. Acordar todo dia, todo dia, todo dia juntos na mesma cama é mortal.
Ela respondeu que Nietzsche disse que a mesma palavra amor significa duas coisas diferentes para o homem e para a mulher.
Para a mulher, amor exprime renúncia, dádiva. Já o homem quer possuir a mulher, tomá-la, a fim de se enriquecer e reforçar seu poder de existir.
Respondi que Nietzsche era um maluco.
Mas aquela conversa foi o início do fim.
Na cama não se fala de filosofia".
(Rubem Fonseca, Ela, In: Ela e outras mulheres)
O amor é um devasso mesmo.
Alguém já disse isso?
Com certeza.
Estou devassada de amor.
Pelo amor. Em amor. Com amor. Pré e pós-amor.
O amor não está no coração, está nos intestinos.
O coração parte. Os intestinos param.
As palavras precisam ser evacuadas.
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Falando dele, eis um novo (já velho) amor:
http://www.youtube.com/watch?v=6C-rLKiSS_o


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