segunda-feira, 5 de julho de 2010

Senhorinha Casmurro

"Há coisas que se não dizem".

Bento Santiago, o Bentinho, dirigindo-se a Capitu, após sugeri-la adúltera, por meio da acusação de que Ezequiel não era seu filho, mas de Escobar.

Dom Casmurro, de Machado de Assis


"Mas que fazer, se a destinação única de todo homem inteligente é apenas a tagarelice, uma intencional transferência do oco para o vazio?"

O homem do subsolo explicando a diferença entre as atitudes do homem consciente e as do homem de ação. Este nada pode fazer, a não ser cruzar os braços e ficar sentado, já que tem dúvidas acerca das coisas; ao contrário do outro.

Memórias do subsolo, de Fiódor Dostoiévski


Tem horas que me acho parecida com o Bento Santiago.
Não pelo ciúme, mas por esta capacidade de ver o que só eu vejo, ensimesmada. Uma vida interior vasta em caraminholas e desconfianças. Uma frase solta registrada num muro desses da rua e estou entretida nela há tempos. Leio, releio, trileio. Examino. Procuro sarna. Na maioria das vezes, não chego a nada. Ou a quase nada. Ainda bem.

Nenhum comentário: